quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sempre Clara rosa.

Quando eu era criança, eu gostava de uma série de livros de uma personagem chamada “Clara Rosa”. Eu, que sempre detestei a mania das pessoas de me colocarem segundos nomes (Ana Clara, Maria Clara, Clara de Assis), gostaria de me chamar Clara Rosa. Não sei se só por causa do nome, mas me identificava muito, e devorava todas as aventuras da minha tão querida personagem como se fossem minhas.

Gostava e ainda gosto muito dos títulos, me despertavam a maior vontade de descobrir o que tinha acontecido à clara Rosa, ou me acontecido (como eu sentia). Os meus livros preferidos eram “Clara Rosa vê vermelho” e “Sempre Clara Rosa”.
Esses dias um rapaz me perguntou “Você é sempre doce assim?” Normalmente, essa visão de mim coberta de candura me revolta, me chateia, até ofende. Mas nesse caso, a pergunta veio doce. Sim, doce como eu. E eu entendi que a minha chateação não é ser vista cheia de candura (afinal, essa talvez seja a minha virtude), mas me sentir limitada pelo que os outros pensam que seja ser meiga.
A pergunta do rapaz teve sutileza, graça e me soou um grande elogio. Tão grande elogio, que tomo a liberdade de dizer que me senti desejada por ele(o rapaz). Pensei por alguns segundos, pensei em dizer que não, que havia muitas faces desconhecidas. Mas logo depois percebi que mesmo as faces desconhecidas possuem doçura, a minha doçura. E como tive orgulho dela!
Não me senti diminuída. Ao contrário, me senti mulher, fortalecida pela própria fragilidade.
No riso, no choro, na dissimulação, na sedução, na sensibilidade ou frieza, há a doçura. E que assim seja.
Respondi contente, confiante e sorrindo docemente, como é inevitável: “Sim, sempre”.
Ele retribuiu o meu sorriso, me dando o maior dos presentes: A alegria doce de ser quem se é.
Sim, Clara Rosa vê vermelho. Mas Clara Rosa é sempre Clara Rosa.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Reencontro da parte perdida

Sabe quando você encontra alguém que não via há muito tempo e só então percebe que estava morrendo de saudade?

Minhas tantas faces se ocultam e se mostram, me confundindo, fazendo de mim esse mosaico incompreensível e sempre incompleto.
Sou tantas que me perco, e muitas vezes esqueço ou deixo de lado cantinhos de mim. Que mais hora ou menos hora, reaparecem pra me lembrar de que eu sou mesmo toda essa contradição.
Depois de uma série de poemas e pra completar, uma lista de músicas, eu reencontrei a parte de mim que é romântica. Uma grande e imponente parte, mas que andava perdida por medo, frágeis decepções, inseguranças e tantas outras bobagens.
Eu me reencontrei com a parte de mim que ama, que se entrega, que se apaixona, que dilacera o coração sorrindo, que morre de amor e renasce (só pra morrer de novo...)
Afinal, ela ainda existe e estava brilhando em algum cantinho escondido de mim, esperando a hora de me pregar uma peça e me dizer que eu continuo a mesma.
É verdade, minha resistência é das mais frágeis, eu continuo a um passo de me apaixonar.
Não importa quanto tempo esse meu lado vai durar no comando, sei que vai me aprontar alguma. Me bagunçar por dentro até eu cambalear as pernas, perder o fôlego, me sentir a maior e menor criatura do mundo. O pior (ou melhor) é que eu vou achar que vale à pena.
Esse lado de mim não é dos mais espertos, que dirá o mais atento, ou decidido. Mas é o mais feliz, o que é que eu posso fazer?
Esse cantinho meu vê tudo mais bonito, acha razão no sem sentido, e perde o sentido da razão, e acha que assim que é bom!
Mesmo quando eu choro, mesmo quando eu sofro, mesmo quando eu me angustio, mesmo quando eu tenho raiva e odeio ser assim, eu sou alegre.
Reencontrei uma velha conhecida, sim, a parte de mim que me causou as melhores e piores sensações, a parte de mim que eu não suporto não ser. Sem mais brigas, nos encontramos e agora o que me resta é aceitar e entregar o coração...
Não, não quero mais me sentir tão vazia, me sentir tão fria, tão distante de mim.
Não quero nunca mais me esquecer de amar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Como entrar na casa de Isabel

Muita gente tem me perguntado como comprar o livro, então, estão aqui todas as opções.

Pro pessoal do Rio,
o livro está nas seguintes livrarias:
Empório das Letras (Shopping São Luís)

Galileu (Lgo do Machado)
Malasartes
Moviola
Livraria da Travessa Ipanema, Leblon e Centro.

Pros cariocas que preferirem, ou pra quem não é do Rio,
pode-se comprar o livro pelo site da editora Mirabolante.
http://mirabolanteeditora.com.br/principal/index.php/a-casa-de-isabel.html

PIAUIENSES...
por favor, esperem! Vai ter um lançamento super bacana só pra vocês.

terça-feira, 15 de março de 2011

Espera

Aqui jaz uma espera.
De uma vida inteira que foi o que não era.
Na busca da perfeição, pra dentro do caixão
Com a máxima esperança de que não perdia por esperar.


quarta-feira, 9 de março de 2011

Meu Carnaval e minhas cinzas

(Reflexão de uma noite mal dormida)
Talvez porque o Carnaval me traz uma felicidade que raramente experimento, quando acaba, me bate uma melancolia imensa, uma tristeza profunda mesmo (embora aparentemente boba).
A quarta-feira me revela os medos, os anseios, os meus defeitos, os problemas, as coisas pra resolver, enfim, tudo que eu fiz questão de esquecer durante o carnaval. Como se a vida real estivesse pra começar...
Eu, em geral, tenho preguiça da vida prática e gosto muito mais da inventada.
Mas dessa vez, ainda há muito pra queimar antes de dizer "cinzas".
O Carnaval acabou, mas a vida me deu mais um tempo de trégua. Pra pensar, pra sonhar, pra escrever, pra viver do jeito que eu gosto antes de cair na vida real (que também me fascina, embora canse!).
Dia 20 eu parto pra uma viagem (conotativa e denotativamente). O Piauí é sempre um mergulho dentro de cantinhos escondidos de mim, uma injeção de amor, de poesia, de vivências coloridas e alegres, que me preenchem da maneira mais doce. E dessa vez, por mais tempo do que nunca.
Começa uma pequena jornada com sabor de cajuína e de muito calor de alma e coração, e claro, o avante vai ser palco, chão e impulso pra imortalizar cada momento dos meus próximos Carnavais.

terça-feira, 1 de março de 2011

O lado devassa

A Sandy é a nova musa da devassa. Fez fotos, comercial, pintou o cabelo de loiro.
Bom, o resto vocês já podem imaginar, foi o maior auê.
Algum dia a Sandy foi virgem, bv, adolescente, criança. Mas vejam só o que o tempo faz, ela virou adulta.
Tem 20 anos de carreira, 28 de idade, um casamento. Mas não adianta, ela não pode tomar cerveja sem o assombro das pessoas.
A Sandy obviamente não é uma musa de cerveja, mas aí está o grande barato da nova campanha da devassa(na minha humilde opinião). Depois da história da Paris Hilton, a intenção mudou. A máxima da campanha é "Todo mundo tem um lado devassa". Ou seja, qualquer mulher pode ser sensual sem ser vulgar, todas as mulheres tem um lado devassa que de vez em quando aparece. E por que não?
Eu me irrito com os comentários preconceituosos e ignorantes. Quem está criticando certamente não entendeu a intenção da campanha.
Tomo as dores por motivos óbvios, sou uma grande fã da Sandy e não nego! Sei tudo da música e o pouco que percebo da personalidade, e acho que a Sandy tem o direito de crescer, amadurecer e ora bolas, ser o que ela quiser na hora que ela quiser.
Mas tem um outro lado muito mais pessoal , eu também carrego essa imagem de santinha. Se mereço ou não, não sei, mas essa carapuça sempre me aperta, não é muito confortável.
Evidentemente, no meu caso não há mídia, a proporção do meu incômodo é muito menor, mas não deixa de ser real.
Talvez porque eu sou pequena, delicada, meiga, sei lá, as pessoas me deram esse peso de inocência e ai de mim se não carregar. Eu não sei desde quando me deram essa imagem de "imaculada", mas ela existe e é um saco.
Sou boa moça sim! Adoro andar em família, vou à igreja, detesto vulgaridade e exposições denecessárias, sou doce, educada, discreta, e o mais importante, respeito os meus limites e vontades.
Em exemplos banais, seu falo um palavrão, se eu saio, se eu uso uma roupa mais curta, se falo besteira, fico mais discontraída, se deixo escapolir um detalhe mais íntimo (mesmo entre amigos), é sempre um inferno! Qualquer aparição mais mulher, que exponha um lado mais sedutor ou apenas mais livre de mim, resulta em muitos comentários maldosos, ofensivos, preconceituosos e muito, muito chatos!
Eu detesto qualquer limitação da minha personalidade que não seja traçada por mim.
Não é pra provar nada pra ninguém, não é nenhuma revolta, nenhuma reviravolta. Eu jamais andarei por aí forçando sensualidade ou assumindo comportamentos que não são meus.
Dentro do meu jeitinho boa moça, eu sou também libertina. E daí?
Todo mundo tem um lado devassa. Até a Sandy, até eu.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mini conto de carnaval

Com a peruca rosa, Ana era outra, inventava a si mesma.
Já estava um pouco cansada da multidão, dos flertes e provocações.
E quando já estava pensando em ir embora, sentada na calçada...Surgiu um palhaço vestido como tal e com tal cara de pau, pediu "Me dá um beijo".
E ela deu...
E que ninguém a leve a mal. O refrão afirmou, ela ficou mais leve, "é carnaval".